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encontro marcado


estava a espera de uma resposta: ela viria?
a incerteza era sufocante, ele teria que fazer algo a respeito...
mas o quê?

ele não teria coragem de ir ao encontro dela... ele não era desses. mas esperar poderia levar tempo demais... tempo que ele não tinha. Teria de ser agora.
Teria de ser da maneira que fosse preciso de ser, assim como tinham sido as coisas da sua vida:
obrigações, trabalhos, tudo havia sido feito pela obrigação de assim o fazer..mas e agora? do que adiantaria sua responsabilidade agora, sua competência? do que vale o esforço se o objectivo ja nos nasce morto?
as mãos suavam frio e seus pés estavam inquietos...ele não poderia encontra-la, a menos que ela assim o quisesse...
a lua era crescente , e iluminava toda ponte. as ondas rugiam contra as pilastras de puro concreto e eram o unico som que se ouviria atravez de toda aquela noite. Ele mesmo escolhera aquele local para encontra-la... ele nao queria que ninguém mais o visse , e nem queria ser afastado daquilo . o medo de desistir fez com que escolhesse um lugar tão fora de vista, tão afastado da cidade, em um horário tao vazio quanto seus sentimentos, e tão frio quanto a sua alma .
a ponte era alta de mais, e ele sabia disso .
estava sentado olhando o mar nocturno, as ondas, o crescente, olhando o escuro.
era como se levitasse, seu corpo era leve
seu corpo chocou-se contra as ondas com a mesma maciez com a qual as ondas chocavam-se as pilastras:
impassíveis
incontestáveis
imperdoáveis.
ela finalmente o encontrou denovo , e vida e morte se tocaram em um abraço eterno.


Comments (2)

Um texto bem involvente para um final que vai se tornando menos enevoado ao correr da estória! Muito bom!

foda, gostei.