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Linguística e Arte - Construção da Linguagem

É muito comum pessoas de nosso país, principalmente a população jovem, criticarem a complexidade da língua portuguesa. Muitos reclamam das regras sem mesmo compreende-las, outros se frustram tanto com as minúcias que se tornam usuários de preciosismo. Ambos os lados estão incorretos.

A língua é construída pelo povo falante. Ela nunca foi e está muito longe de ser estática. As oralidades são marcas da cultura regional, que jamais empobrecem a fala, mas sim enriquecem a comunicação das pessoas. Expressões, ditos, gírias são sinais de personalização da própria língua mãe, deixando-a com as características de quem a fala. Os sotaques mostram as influencias dos fatores presentes na vida das pessoas. Os baianos construíram sua fala incrustando no vocabulário muitas palavras de origem africana. O Tupi também teve grande influencia na construção da língua brasileira, se assim permitem que eu a chame.

Em estudos de linguística acredita-se que as línguas tendem a se modificar de maneira que ela se torne mais fácil, principalmente na fala. Logo, muitas regras do português já foram modificadas e algumas, embora corretas, são consideradas preciosismos, como a mesóclise. Percebe-se também que as línguas derivadas do latim não herdaram as declinações e nem todas as formas verbais existentes na mesma, exemplificando a simplificação da comunicação. Resquícios da forma acusativa e dativa de pronomes e substantivos ainda são encontrados em livros de língua portuguesa da década de 40.

Atualmente, a facilidade e velocidade que flui a comunicação interferem e fazem com que a linguagem seja modificada mais rapidamente que outrora. Já é difícil estimar a quantidade de palavras que foram inseridas em nosso vocabulário nos últimos anos, e esta inclusão se deve principalmente à popularização da internet.

Por outro lado, é incoerente se desfazer da riqueza e dos detalhes oferecidos em nossa linguagem. Eles existem como ferramentas para edificar a arte em nossa escrita e devem ser usados e tecidos cuidadosamente.

Portanto, as regras de nossa língua são apenas uma regulamentação do formal e do comum aos falantes. Perdemos nossa personalidade quando ignoramos as marcas orais adquiridas devido ao nosso convívio com pessoas distintas. Não há fala errada, e sim um “dialeto popular”.

Comments (2)

Rafa!
muito bom texto!!
há vezes que não dá pra acreditar que você é um engenheiro^^'

sobre o texto, a sua visão diante dos inúmeros 'dialetos populares' é muito bonita. Apesar disso, não posso deixar de ressaltar que ao mesmo tempo que podemos ver gírias como 'enriquecimento' da língua-mãe, ou 'personalização' dela, muitas vezes essas expressões são de baixo calão, ou seja, não há tanto enriquecimento assim... pois, pode até me achar antiquada quanto a isso, não acho que a língua se enriqueça com mais uma 'meia-dúzia' de palavrões.
está de parabéns!

beijos

PS: mas eu ainda acho que você está no curso correto^^

Eu me expressei errado, devia ter diferenciado os "dialetos populares" do "saber falar", há situações que realmente não se encaixam no enriquecimento que discuti no texto.
Muito obrigado pelo comentário!