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O Sonho do Poeta

Contra meu cansaço travei um duelo
não resisti e meus olhos se cerraram
Dormiu meu corpo como o som singelo
entoado por sonhos que me rodeavam.

Um deles falou "Vem, tolo amigo."
Os pés eu não conseguira impor
por um bizarro caminho então sigo
sinto seus tijolos vivos em fulgor.

Descansaram os meus pés já queimados
quando, enfim, chegamos ao destino
um campo qual nunca vi tais gramados
suas folhas sussurravam som divino.


Atenção eu prestei à melodia
conheci sua cólera e sua calma
Serena e furiosa ela ardia
por essas notas se encantou minh'alma.

"Eis onde repousam todos os poemas
antes de atormentarem a mente
e tomar no papel formas supremas."
disse-me meu sonho impertinente.

"Desperta e paciente aguarda
pela poesia que será dona tua
Tecei delicado a sua vanguarda
trabalha o desejo da forma nua.

Que à força ela não seja escrita
pois será incompleta, paralítica,
da literatura um parasita,
a lírica abortada é raquítica.

Não é a bela forma construída
que em arte o poema transforma
mas sentimentos d'alma refletida
nos versos desse reino sem norma."

Ainda atemorizado acordei
aquela canção jazia no peito 
qual melodia não esquecerei
cravada dentro dum ser imperfeito.

Comments (1)

Muito lindo^^
Há uma poesia dentro de outra, ao menos ao meu ver... realmente encantadora